Santana é uma freguesia portuguesa do município de Nisa, na região do Alentejo, com 27,28 km² de área e 377 habitantes (2011), sendo seu presidente Joaquim da Piedade Ferreira Carita . A sua densidade populacional é de 14,8 hab/km².

"Contributos para uma monografia de Santana" Joaquim Marques
A freguesia de Santana é de constituição recente.Criada pelo decreto-lei n.º 42 087, de 5.1.1959, com a divisão territorial da freguesia de S.Simão. A alteração administrativa foi fundamentada na distância e dificuldades de acesso à sede no Pé da Serra, ao número de habitantes e ao fato de ser nomeado um pároco residente no Arneiro. 
Assim, ao recuarmos no tempo, o passado histórico das duas freguesias é partilhado, pelo que se torna incontornável a abordagem de um percurso comum até à cisão de que resultou a criação da freguesia de Santana.
O território que hoje pretence à freguesia de Santana teve ocupação humana desde os tempos mais remotos. Alguns vestígios da época da colonização romana como a ponte sobre a ribeira de Nisa junto ao monte da Senhora da Graça, a exploração de ouro do Conhal ou a levada de que alimentava essas minas, a partir da ribeira de Nisa, desde as proximidades da senhora da Graça, atestam a ocupação humana do território, pelos romanos, outros testemunhos muito mais antigos nos confirmam a presença humana.
Contudo, o território teve ocupação humana em tempos ainda mais remotos, como atestam as minas do buraco da Faiopa pelos visigodos e num passado ainda mais remoto, as gravuras rupestres do Cachão de Boi, e hoje submersas e do Cachão de S.Simão, que fazem parte dos sítios de arte rupestre do Vale do Tejo, e confirmam a presença humana, datadas do período Paleolítico Superior (40.000 a.C.), e as recentes escavações arqueológicas permitiram concluir com base nos artefatos encontrados provar a existência de acampamento de caça, no Montinho, Pego e Azinhal (anos), (40.000, 60.000 e 140.000 anos respectivamente).
Em 1532, reinava D. João III, O Piedoso e havia no território do actual concelho de Nisa sete vilas/concelhos - Alpalhão, Amieira, Arez, Montalvão, Nisa, Tolosa e Vila Flor - cada um dos quais com uma só freguesia (sendo todos estes concelhos extintos à excepção do de Nisa, com a reforma administrativa de 1820).
Os concelhos e freguesias de Alpalhão e Tolosa eram constituídos, cada um deles, por uma só povoação e com a população a viver nas vilas. Os outros concelhos e freguesias eram compostos pela sede e por habitantes dispersos em casais isolados, em montes, no meio rural. ”Segundo o numeramento de 1527-1532, concelho de Nisa, o maior em território e o mais populoso, quer na vila quer no campo, era composto, no ano de 1532, por 295 moradores na vila (estimamos em 1180 habitantes, considerando que cada morador – casa/fogo - corresponde, em média, a 4 habitantes) e 54 moradores no campo (216 habitantes) ” .
Tendo então Nisa uma única freguesia, Nossa Senhora da Graça ou Matriz, e o pároco estava encarregado de todos os paroquianos - num total de 1396 - do seu vasto território, com a maioria a viver na vila e os restantes em casais isolados no campo.


Em 21 de Agosto de 1549, o Papa Paulo III, através da Bula “Pro Excellenti Apostolicae Sedis”, cria, por desmembramento da diocese da Guarda, a diocese de Portalegre elevando esta vila a cidade no foro eclesial e nomeia D. Frei Julião d´Alva como primeiro bispo, que viria a tomar posse em 16 de junho de 1550 e governou a diocese até 1570.
A 8 de Novembro de 1554, D. João III funda, por divisão da de Nossa Senhora da Graça, duas novas freguesias no termo de Nisa: Divino Espírito Santo e S. Simão.
“E como os povos d´além da ribeira de Nisa ficaram a cargo da Matriz e os beneficiados com a obrigação do coro não podiam desempenhar bem os deveres paroquiais, e era alem disso mui gravoso os paroquianos ter a sede da freguesia tão distante de seus lares,que alguns ficavam a duas grandes léguas desta vila por caminhos quase inacessíveis e perigosos,instituiu-se uma nova paróquia na ermida de S.Simão, próximo da serra deste nome, por alvará de 4 de abril de 1555” .
O local escolhido deveria se central e o melhor e mais conveniente para o serviço de todos, que melhor servisse os paroquianos da nova freguesia. A ermida de “S.Simão, edificada na parte meridional da serra de S.Miguel, em ligar ermo e desabitado. Foi na sua origem uma pequena capela, edificada nos princípios da monarquia, para uso dos habitantes daqueles povos, que a cercam, que ali concorriam nos dias santificados a ouvir missa.Na provisão de 2 de abril de 1555, mandando o bispo D.Julião d´Alva instituir nela provisoriamente uma freguesia, diz que é preciso primeiro reedifica-la, porque por sua muita antiguidade estava quase demolida. Foi na verdade reedificada, e depois acrescentados dois altares laterais, um dedicado à Virgem do Rosário e outro a santo António, e nela se estabeleceu definitivamente a paróquia que tomou o seu nome” .
Neste local, junto à actual fonte de S.Simão, na Estrada Nacional 18, existiu um pequeno povoado de nome Baraçal demolido pelos espanhóis, em 1704 no decurso da Guerra da Sucessão de Espanha e quando da sua passagem da Beira para o Alentejo, acabando por ser abandonado.
Na verdade era a ermida mais central, tendo em conta os paroquianos que servia. A nascente ficavam os povoados de Pé da Serra, Monte Cimeiro e Vinagra; a poente os Montes de Baixo: Arneiro, Duque, Pardo e Póvoa; a norte Catraia, Portela do Atalho, Corga e Monte Novo do Porto do Tejo.

 

GEOMORFOLOGIA

Citando Joaquim Marques Rodrigues na obra "Monografia da Freguesia de Santana", o relevo quartzítico que mais se destaca, a partir da Serra de S. Miguel, a norte da Vila de Nisa, prolonga-se para norte numa imponente crista composta por duas cumeadas a da Corga e a do Paúl. Nas proximidades da Freguesia de Santana, ainda segundo o autor, há declives com mais de 50%, concretamente nas Portas de Ródão.

 

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